Ai, aquele vinho. Aquele vinho que me faz ter vontade, ou
melhor, que introduz a realidade da minha vontade de morder aqueles lábios.
Aqueles lábios que encaixam perfeitamente no desejo da minha boca. Aqueles
lábios que fazem parte daquele corpo moreno rabiscado, que tem o passe para o meu
corpo. O meu corpo que está sedento.
Ai, corpo meu. Corpo meu que não me pertence. Corpo meu que não desejo que me pertença, mas que seja possuído. Possuído por aqueles braços, aquelas pernas, ai corpo...
Olhos garrafais... hipnotizam-me. Hipnotizam-me para lagos negros, com passado
obscuro, mas dócil. Uma pétala presa no submundo. Ai, quando emergir... quero morder.
