quarta-feira, 23 de abril de 2014

Mordidas

Ai, aquele vinho. Aquele vinho que me faz ter vontade, ou melhor, que introduz a realidade da minha vontade de morder aqueles lábios. Aqueles lábios que encaixam perfeitamente no desejo da minha boca. Aqueles lábios que fazem parte daquele corpo moreno rabiscado, que tem o passe para o meu corpo. O meu corpo que está sedento.


Ai, corpo meu. Corpo meu que não me pertence. Corpo meu que não desejo que me pertença, mas que seja possuído. Possuído por aqueles braços, aquelas pernas, ai corpo...


Olhos garrafais... hipnotizam-me.  Hipnotizam-me para lagos negros, com passado obscuro, mas dócil. Uma pétala presa no submundo. Ai, quando emergir... quero morder.

sábado, 5 de abril de 2014

Toque

Afago é a demonstração simples e oculta de afeto do eu calado e medroso. 
Carestia não é seu sinônimo, mas sim emancipação contínua. Emancipação de uma mente que 
não tem medo do negro. Coração negro.
Dois corações negros.